CES 2026: Intel e AMD aceleram a nova geração de PCs com IA
Atualizado em January 10, 2026 7 minutos de leitura
A CES 2026, em Las Vegas, consolidou a corrida aos PCs com aceleração dedicada à IA, com a Intel e a AMD a anunciarem novas famílias de processadores centradas em NPUs. As duas empresas apontam para mais inferência no dispositivo, com ganhos prometidos em desempenho, autonomia e capacidade de executar tarefas de IA sem depender tanto da cloud.
O impacto imediato é prático: em 2026 haverá mais portáteis capazes de correr modelos e funcionalidades localmente, mas isso também aumenta a exigência sobre otimização, testes e compatibilidade. Para quem está a aprender ou a liderar equipas, este é um sinal claro de que IA no endpoint passou de tendência para requisito.
What happened (factos com datas)
A CES 2026 decorreu entre 6 e 9 de janeiro de 2026, em Las Vegas, servindo de palco para os anúncios de “AI PCs” que já vinham a ganhar tração desde 2024.
A 5 de janeiro de 2026, a Intel apresentou os Intel Core Ultra Series 3 e posicionou a plataforma como a primeira construída no processo Intel 18A. A empresa destacou que tem mais de 200 designs de PCs em preparação para esta geração. No segmento premium, a Intel introduziu as classes Core Ultra X9 e X7 e indicou configurações até 16 núcleos de CPU, 12 Xe-cores na gráfica integrada e até 50 TOPS na NPU.
A Intel também publicou números de desempenho internos em comparação com a geração anterior (Lunar Lake), incluindo “até” mais 60% em cargas multi-thread e “até” mais 77% em jogos.
Em autonomia, a empresa mencionou um resultado de “até 27,1 horas” de streaming Netflix num design de referência (Lenovo IdeaPad). No calendário comercial, a Intel apontou para pré-encomendas a 6 de janeiro de 2026 e disponibilidade global a 27 de janeiro de 2026, com mais modelos ao longo do primeiro semestre de 2026.
No mesmo dia, 5 de janeiro de 2026, a AMD anunciou a família Ryzen AI 400 e Ryzen AI PRO 400, com foco em portáteis e estações de trabalho que pretendem cumprir os requisitos de “Copilot+ PC”. A empresa destacou NPUs até 60 TOPS e listou exemplos concretos de SKUs, como o Ryzen AI 9 HX 475 (12C/24T, boost até 5,2 GHz, NPU 60 TOPS) e o Ryzen AI 9 HX 470 (12C/24T, boost até 5,0 GHz, NPU 55 TOPS).
A AMD indicou disponibilidade de sistemas com Ryzen AI 400 a partir do primeiro trimestre de 2026 e desktops a partir do segundo trimestre de 2026.
A AMD acrescentou ainda uma peça relevante para developers: a “Ryzen AI Halo Developer Platform”, um sistema SFF anunciado com chegada prevista para o segundo trimestre de 2026.
Entre as alegações, a empresa refere capacidade para correr localmente modelos até 200B parâmetros, com até 128 GB de memória unificada e até 60 TFLOPS de desempenho gráfico (RDNA 3.5), o que sugere uma aposta explícita em prototipagem e validação de workloads no dispositivo.
Por fim, vale sublinhar o “piso” de mercado que influencia estes anúncios. A Microsoft descreve a classe Copilot+ PC com requisitos mínimos como NPU com 40 TOPS ou mais, 16 GB de RAM, 256 GB de armazenamento e Windows 11 24H2 (ou superior).
Em 2026, parte da conversa deixa de ser “tem NPU?” e passa a ser “quanto consegue fazer localmente, com que latência e com que consumo?”.
Why it matters (implicações para learners, devs e equipas)
Para quem está a aprender, há uma mudança clara: IA no dispositivo deixa de ser um laboratório e passa a ser uma competência base.
Se mais máquinas cumprirem o patamar Copilot+, surgem oportunidades para construir funcionalidades offline, reduzir latência e melhorar privacidade por design, sem assumir que tudo tem de ir para um endpoint remoto.
Para developers, isto aumenta a importância da engenharia de performance. TOPS são uma medida útil, mas não garantem resultados sem trabalho de runtime, operadores suportados, precisão numérica e compatibilidade do modelo com o stack disponível.
Em termos práticos, isto empurra equipas para práticas que antes eram opcionais: quantização, validação de qualidade após otimização e testes em hardware real.
Para equipas de produto e engenharia, a disponibilidade de NPUs mais rápidas torna viável uma arquitetura híbrida mais consistente.
Algumas tarefas podem correr localmente (por exemplo, classificação, sumarização curta, deteção de intents), enquanto outras continuam na cloud por custo, atualização ou capacidade. O desenho correto não é “local versus cloud”; é “local quando faz sentido, cloud quando é necessário”.
Em segurança, o movimento também é importante. Correr IA no endpoint pode reduzir a exposição de dados sensíveis, mas aumenta a necessidade de controlar modelos, pesos, dependências e atualizações.
Modelos são ativos e, em muitos cenários, tornam-se parte da superfície de ataque e da cadeia de supply.
Key numbers (métricas)
CES 2026: 6 a 9 de janeiro de 2026.
Intel Core Ultra Series 3: processo Intel 18A; mais de 200 designs de PCs anunciados como em preparação.
Intel (Core Ultra X9/X7): até 16 núcleos de CPU, 12 Xe-cores e até 50 TOPS na NPU.
Intel (calendário): pré-encomendas a 6 de janeiro de 2026; disponibilidade global a 27 de janeiro de 2026.
Intel (claims internos): até 60% melhor em multi-thread e até 77% melhor em jogos face a Lunar Lake; até 27,1 horas de streaming Netflix num design de referência.
AMD Ryzen AI 400/PRO 400: NPU até 60 TOPS; portáteis a partir do primeiro trimestre de 2026; desktops a partir do segundo trimestre de 2026.
AMD (SKUs citados): Ryzen AI 9 HX 475 (12C/24T, boost 5,2 GHz, 60 TOPS NPU) e Ryzen AI 9 HX 470 (12C/24T, boost 5,0 GHz, 55 TOPS NPU).
AMD (dev platform): “Ryzen AI Halo Developer Platform” prevista para o segundo trimestre de 2026; até 200B parâmetros localmente; até 128 GB de memória unificada; até 60 TFLOPS (RDNA 3.5).
Copilot+ PC (Microsoft): NPU 40 TOPS ou mais, 16 GB de RAM, 256 GB de SSD e Windows 11 24H2 (ou superior).
Context (versões anteriores, concorrência, mercado)
Entre 2024 e 2025, os PCs com NPU passaram de novidade a categoria formalizada, em parte devido à definição de Copilot+ PC.
O resultado foi previsível: fabricantes começaram a alinhar lançamentos com um requisito de base e com mensagens mais consistentes sobre “IA no dispositivo”.
O que muda em 2026 é a maturidade do argumento. Já não basta anunciar uma NPU. A conversa desloca-se para capacidade sustentada, autonomia em cenários reais e previsibilidade do software, incluindo drivers, runtime e compatibilidade de modelos.
A Intel usa o Series 3 como um marco tecnológico (Intel 18A) e como um empurrão para consolidar a sua proposta em portáteis premium. A AMD reforça a linha Ryzen AI e adiciona uma orientação mais direta para developers com a plataforma Halo, o que pode ajudar equipas a testar e a afinar workloads locais sem depender de um portátil específico.
Há também um efeito de “normalização”: quando NPUs com 50 a 60 TOPS aparecem em anúncios de portáteis mainstream e premium, as expectativas do mercado sobem.
Isso pressiona ecossistemas de ferramentas e bibliotecas a oferecerem caminhos estáveis para inferência no dispositivo, e torna mais relevante para equipas ter uma estratégia de distribuição e validação multi-hardware.
What’s next (roadmap e passos acionáveis)
No curto prazo, a janela é comercial. A Intel aponta para pré-encomendas a 6 de janeiro de 2026 e disponibilidade global a 27 de janeiro de 2026.
A AMD indica portáteis Ryzen AI 400 a partir do primeiro trimestre de 2026 e desktops a partir do segundo trimestre de 2026, com a plataforma Halo para developers também prevista para o segundo trimestre de 2026.
Para developers e equipas, alguns passos ajudam a transformar “AI PC” em valor real:
Planeie por capacidades e não por marketing: detete aceleração disponível (NPU, GPU, CPU) e implemente fallback previsível.
Otimize cedo e com disciplina: quantize quando fizer sentido, mas acompanhe sempre métricas de qualidade e regressões.
Teste em diversidade: valide pelo menos em dois fornecedores e em classes diferentes de máquina antes de tomar decisões de produto.
Documente limites: defina o que corre localmente, o que vai para cloud,e em que condições a app muda de modo.
Trate modelos como dependências: versionamento, validação, integridade e atualização segura devem fazer parte do ciclo.
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